Fabulinhar cidades: o teatro desenhado

Fabuinhando cidades: o teatro desenhado é uma oficina para crianças que parte de uma relação interdisplinar entre o desenho e o teatro como forma de aprofundar a relação da criança com um brincar que se dá a partir do seu mundo interior.
O desenho é a primeira linguagem que desenvolvemos quando ao tocar o papel com um lápis ou caneta mantemos uma relação de extensão do corpo através de um movimento que busca lançar sobre a superfície branca um mundo interior que está buscando formas ali nos primeiros anos de vida. O desenho é uma evocação de algo que queremos sugerir enquanto ser desde muito cedo.

Segundo Edith Derdyk ao falar das garatujas a pedagoga nos revela que “no ato de rabiscar estão latentes segredos existenciais, confidências emotivas, necessidades de comunicação.”
Da primeira infância até um desenvolvimento cognitivo que nos permite olhar para o mundo e relativizar a presença do outro vamos nos distanciando do desenho. No processo de apreender o mundo vamos percebendo que o traço despretensioso dá lugar a medos e comparações no ato de revelar-se através das linhas. Perceba o quanto você já disse ao longo de sua vida que não sabe desenhar ou mesmo sem perceber foi se distanciando desta linguagem.

Num ambiente de aprendizado com crianças é muito comum ouvirmos frases como “eu não sei desenhar”; “eu não desenho porque eu não sei”; “o desenho dela é mais bonito que o meu”. Tais afirmações mostram o quanto ainda se reflete nos dias de hoje o padrão neoclássico que nos foi imposto e, muitas vezes, impede a criança de mergulhar em si através do desenho. Essa postura se dá ainda como um efeito do nosso processo de colonização que no âmbito das imagens e da arte somos reféns da influência neoclássica francesa nas escolas fizeram com que admitíssemos para nós mesmos que não sabemos desenhar.
A oficina busca romper com esta imposição sobre a subjetividade da criança daquilo que é bonito ou belo que lhes foi imposto ao longo do tempo sem mesmo que ela percebesse, mas que tem efeito em sua autoexpressão por meio do desenho. Para isso, convocamos o ato de fabulinhar como um recurso metodológico que através da brincadeira e do teatro convocam a criança ao mergulho no seu imaginário que irá desembocar no ato de desenhar.
A oficina é uma jornada sobre si que irá dar vazão a processos de imaginação sobre a cidade a partir do lugar que a criança habita numa relação direta com sua imaginação e seus desejos de vida para o lugar que vive. O desenho irá dar forma e contorno se revelando como o portal para esta terra da imaginação das crianças tendo nele o ponto de partida para a criação de dramaturgias e cenas por parte das crianças.

Carga-horária: 12 h
Duração: 4 dias (3 h/dia).

Fotos: André Rosa
Oficinas realizada dentro do projeto Conexão Elefante por 08 cidades do sertão e litoral Potiguar (Ago a Nov/2022)

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